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Leia não, flôzinha, leia não...



Adelaide Catarina…ô diacho de menina!
Véve com o livro na mão, e eu, que sô pai arretado, vivo lhe aconselhando: leia não, flôzinha, leia não!…
É que leitura demais só serve pa trazê ilusão.
Olhe só: num temo água, coberta e nem pão… e Adelaide Catarina qué vivê com o tar do livro na mão!
Cismô de andá todo dia, duas hora no lombo do burro, três hora na chalana e mais meia hora de pé. Sabe pa quê, seu moço? Pa í pa tar da escola, invés de plantar o café!
A peste da professora diz que Adelaide Catarina tem muita idéia boa no pensamento.
Pois eu digo que ela , pros irmão, só serve pa mau exemplo! Já pensô, seu moço, se os outros doze arresolve segui Adelaide Catarina pa escola?
Vixe! Nossa Senhora! O patrão me esfola!
Mas fazê o quê, se ela qué vivê de ilusão? Diz que vai sê letrada, que vai escrevê livro pa todo mundo tê na mão!
Ah! Meu Padim Padi Ciço… Pede o sinhô, ai de cima pa Adelaide Catarina: Leia não, flôzinha, leia não…

Nota da autora: Que algum dia, a Educação do nosso país, possa ser verdadeira fonte de esperança e mudança de realidades injustas e não mantenedora delas.